No distrito da solidão se encontra a pobreza, fria, pálida e seca
E no calor do bairro das ilusões vive
o povo, aquele que sofre, mas sonha
aquele que sonha e divide em ambientes apertados seus delírios
quente,
corado,
robusto
No distrito da solidão cada homem tem o direito de possuir cem metros cúbicos de vácuo puro e mais um pequeno porão para repousarem suas angústias e esconder sua loucura
Já no bairro das ilusiones é dever das notas ontomusicais" do jazz se expressarem pelo devir". Sax. Saliva. Neon. Aqui o silêncio é proibido, uns uivam, outros amam e sempre amarão, perderão e logo ganharão
No distrito da solidão a alma penada ânsia o nada, o não-ser e a ditadura burocrática
N
o
bairro das ilusões o libitus" é bebido e tudo sobre a existência é discutido com humilde paciência Negros são as ruas, as almas e os corpos; Negro não pela escuridão, mas pela vasta vida, assim como a terra mais escura é a mais fértil. Viril. Canha.
Em ambos os bairros há tristeSSa, mas um acabou...
sabendo
dançar
com ela
segunda-feira, 4 de março de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Camus, "Há uma lógica que chegue até a morte?"
Ateu, argelino, existencialista, teatrólogo, filósofo graduado e escritor(e um prêmio nobel): são palavras jogadas que poderiam estereotipar e resumir a vida de Albert Camus.
Mas à frente de seus colegas existencialistas, Camus estava procurando não apenas "Se o mundo tem 3 dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, isso vem depois...", dizia ele que, "Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio". E é assim que começa o seu livro "O mito de sísifo", sem nenhum ornamento Camus vai direto ao ponto e enxerga o absurdo na vida. Aqui esse absurdo pode ser o impossível e também, de certa forma, um confronto entre o ser e o mundo que lhe aparenta ser estranho, ou mesmo o ser que se vê um estranho no mundo. Não pense que é um livro de auto-ajuda, muito pelo contrário, é um livro amargo, mas que inaugura ou reencarnar "um movimento de consciência".
Tal como Freud, Camus recorre à mitologia e tenta explicar um problema da vida pós-contemporânea. Sísifo, o personagem mitológico, é condenado pelos deuses a "empurrar incenssantemente uma rocha até o alto de uma montanha, de onde tornava a cair por seu próprio peso. Pensaram , com certa razão, que não há castigo mais terrível que o trabalho inútil e sem esperança" a relação que Camus estabelece nada mais é do que com a rotina que temos, a de acordar, tomar café, ir ao trabalho, almoçar, voltar ao trabalho, jantar, dormir, de segunda à sábado (sempre a mesma coisa), até que um dia surge o "por que" de tudo isso acompanhado de um certo esgotamento(é o momento em que sísifo vê a pedra cair), mas de certa forma somos levados de novo à nossa rotina(sísifo, então dá um suspiro e volta a empurrar a pedra para o alto), o problema é que com o tempo o despertar volta a cada pedra caída e uma hora haverá a consequência: "o suicídio ou o restabelecimento."
Em "O estrangeiro",outra obra de Camus, Meursault, o personagem do livro, leva a vida com certa indiferença e niilismo, diz diante do juiz que matou um árabe por causa do Sol... é uma obra curta, constituída por duas partes: a primeira é formada pelos fatos que levam ao assassinato sem grandes motivos nem qualquer planejamento, e a segunda parte se passa durante o julgamento do homicídio.
É um livro que deve ser meditado e discutido, há muitas partes que Meursault põe em xeque instituições como a religião e a justiça, simplesmente por ser indiferente aos valores e crenças dessas. A justiça por exemplo não consegue julgar seu ato e sim a forma como ele leva a vida. Ao ser interrogado pela morte do árabe e os tiros posteriores na vítima já morta, Meursault simplesmente não mostra motivo ou explicação para a ação que tomou, o que aborrece o juiz que espera explicação para tudo.
"Por quê? É preciso que me diga. Por quê?" Eu continuava calado. Bruscamente levantou-se... tirou um crucifixo de prata e, agitou-o no ar, voltando para o pé de mim....olhando-me de alto e perguntando-me se eu acreditava em Deus. Respondi que não..."Quer o senhor, exclamou, que a minha vida deixe de ter sentido?" Eu achava que não tinha nada com isso, e disse-lho."
Em certa parte o chefe de Meursault critica a falta de ambição do personagem em crescer enquanto um profissional e o personagem principal retruca: "Quando era estudante, alimentara muitas ambições desse gênero. Mas quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância."Esse abandono do Eros da vida, seria causado pelo decorrer do trabalho de sísifo? Pela descrença de qualquer valor diante de duas guerras seguidas? Ou talvez seja apenas uma paz estóica que o livra do sofrimento? É difícil avaliar, ainda mais por que o narrador-personagem toma tudo em sua superfície nem mesmo satoriza o seu passado. Pensei que ele era apenas um anti-social, mas se tudo lhe é indiferente, então não se importaria em ter convívio com as pessoas. "Sintès... queria pedir-me um conselho...que eu sim, era um homem, que conhecia a vida...e que , em seguida , ficaria meu amigo. Não respondi e ele perguntou-me se eu queria ser amigo dele. - Repliquei que tanto me fazia: ele ficou com um ar contente."
bibliografia consultada:
-L'Étranger (O estrangeiro)-Albert Camus
-Le Mythe de Sisyphe (O mito de Sísifo)-Albert Camus
Mas à frente de seus colegas existencialistas, Camus estava procurando não apenas "Se o mundo tem 3 dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, isso vem depois...", dizia ele que, "Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio". E é assim que começa o seu livro "O mito de sísifo", sem nenhum ornamento Camus vai direto ao ponto e enxerga o absurdo na vida. Aqui esse absurdo pode ser o impossível e também, de certa forma, um confronto entre o ser e o mundo que lhe aparenta ser estranho, ou mesmo o ser que se vê um estranho no mundo. Não pense que é um livro de auto-ajuda, muito pelo contrário, é um livro amargo, mas que inaugura ou reencarnar "um movimento de consciência".
Tal como Freud, Camus recorre à mitologia e tenta explicar um problema da vida pós-contemporânea. Sísifo, o personagem mitológico, é condenado pelos deuses a "empurrar incenssantemente uma rocha até o alto de uma montanha, de onde tornava a cair por seu próprio peso. Pensaram , com certa razão, que não há castigo mais terrível que o trabalho inútil e sem esperança" a relação que Camus estabelece nada mais é do que com a rotina que temos, a de acordar, tomar café, ir ao trabalho, almoçar, voltar ao trabalho, jantar, dormir, de segunda à sábado (sempre a mesma coisa), até que um dia surge o "por que" de tudo isso acompanhado de um certo esgotamento(é o momento em que sísifo vê a pedra cair), mas de certa forma somos levados de novo à nossa rotina(sísifo, então dá um suspiro e volta a empurrar a pedra para o alto), o problema é que com o tempo o despertar volta a cada pedra caída e uma hora haverá a consequência: "o suicídio ou o restabelecimento."
Em "O estrangeiro",outra obra de Camus, Meursault, o personagem do livro, leva a vida com certa indiferença e niilismo, diz diante do juiz que matou um árabe por causa do Sol... é uma obra curta, constituída por duas partes: a primeira é formada pelos fatos que levam ao assassinato sem grandes motivos nem qualquer planejamento, e a segunda parte se passa durante o julgamento do homicídio.
É um livro que deve ser meditado e discutido, há muitas partes que Meursault põe em xeque instituições como a religião e a justiça, simplesmente por ser indiferente aos valores e crenças dessas. A justiça por exemplo não consegue julgar seu ato e sim a forma como ele leva a vida. Ao ser interrogado pela morte do árabe e os tiros posteriores na vítima já morta, Meursault simplesmente não mostra motivo ou explicação para a ação que tomou, o que aborrece o juiz que espera explicação para tudo.
"Por quê? É preciso que me diga. Por quê?" Eu continuava calado. Bruscamente levantou-se... tirou um crucifixo de prata e, agitou-o no ar, voltando para o pé de mim....olhando-me de alto e perguntando-me se eu acreditava em Deus. Respondi que não..."Quer o senhor, exclamou, que a minha vida deixe de ter sentido?" Eu achava que não tinha nada com isso, e disse-lho."
Em certa parte o chefe de Meursault critica a falta de ambição do personagem em crescer enquanto um profissional e o personagem principal retruca: "Quando era estudante, alimentara muitas ambições desse gênero. Mas quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância."Esse abandono do Eros da vida, seria causado pelo decorrer do trabalho de sísifo? Pela descrença de qualquer valor diante de duas guerras seguidas? Ou talvez seja apenas uma paz estóica que o livra do sofrimento? É difícil avaliar, ainda mais por que o narrador-personagem toma tudo em sua superfície nem mesmo satoriza o seu passado. Pensei que ele era apenas um anti-social, mas se tudo lhe é indiferente, então não se importaria em ter convívio com as pessoas. "Sintès... queria pedir-me um conselho...que eu sim, era um homem, que conhecia a vida...e que , em seguida , ficaria meu amigo. Não respondi e ele perguntou-me se eu queria ser amigo dele. - Repliquei que tanto me fazia: ele ficou com um ar contente."
bibliografia consultada:
-L'Étranger (O estrangeiro)-Albert Camus
-Le Mythe de Sisyphe (O mito de Sísifo)-Albert Camus
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Aula de Ociologia 3 (Discussões verídicas e satíricas)
Estava eu voltando com meus amigos inconvenientes para casa. Manhattan e eu começamos a fazer uma série de perguntas para o Gramsci...
-Ô Gramsci! Tu se diz comunista, adora Marx, acha Stalin um exemplo e odeia os E.U.A, mas tu carrega um ipod no bolso, tem um computador de última geração, um videogame! Tu é contra esse capitalismo, mas ao mesmo tempo sustenta ele! Qual a pira?
-AH! Eu num sustento esses bixo não, eu só tenho produto escrito "made in china", ora... A China é Socialista!
Olhei para Manhattan e começamos a rir e gritamos: "AH!!! Gramsci Comunista!"
O ser e o outro
Sentado em uma mesa confortável numa lanchonete não muito badalada, onde se pode comer tranquilamente, mexo a espuma do meu capuccino tentando fazer alguma forma com aquilo, pensar na vida nesse lugar é um refúgio.
Irônico pensar que estou sozinho no meio de tantos outros, e esses outros... pais tentando ensinar seus filhos a comerem com garfo e faca e não com suas mãos; talvez uma garçonete com lindos olhos, perfeitamente redondos e azuis, atendendo um casal de velhos que usando suas alianças, revelam em seus sorrisos um amor eterno. É no meio dessas pessoas que paro de pensar em mim, é uma necessidade momentânea de fazer as pessoas serem grandes, de terem história! Então penso nas vezes em que ignoro a presença do outro; inconsciente de que o outro não é apenas uma paisagem! Aquela garçonete(na minha vida) serve somente para trazer minha comida e recolher os talheres (lambidos até o fim), assim como ela é para mim, eu também sou para ela apenas uma pessoa que paga uma mínima parte de seu salário. Mas é só?! Nesse paradoxo, uma terceira pessoa nos vê como um ciclo, apenas isso, mas eu me acho complexo, assim como a garçonete se vê complexa de coisas que só e somente ela vê: contas a pagar, uma criança à cuidar, um objetivo a seguir... Todas as pessoas são complexas, eu não abro exceções, mas só elas e seus mais próximos companheiros são capazes de enxergar isso; e não só sou que procuro um significado para tudo isso.
Até eu falar intimamente com a "olhos azuis" ela não será nada para mim, ou melhor, ela é substituível por qualquer outra que consiga trazer comida para a mesa "17" em que gosto de sentar. Mas eu me sinto bem aqui sozinho, apenas trocando olhares com um pedaço de papel e um capuccino me aquecendo nesse inverno; sorrio para o nada, olho para a janela e volto para o pedaço da fabulosa torta feita pelas "olhos azuis". AH! Uma torta que só ela sabe fazer...e por isso ela não é apenas uma paisagem!
Aula de Ociologia 2 (Discussões verídicas e satíricas)
Eu e Mananhattan estávamos, já anoite, numa fila enorme, tentando entrar em um daqueles tais "brinquedos de park de diversão" que mais considero um aparelho de tortura:
-Manhattan"!Não vou esperar mais 40 min pra tu andar só 2 min nessa merda!
-Ah, véi! Tu que sabe...
-Tu vai tar me devendo uma hora e vinte minutos da minha vida!
Depois de andarmos dois passos Manhattan olhou para o céu e disse:
-Cara é massa olhar pro céu e imaginar coisas!
-Não é a mesma coisa que fechar os olhos!?
-Nada! É muito diferente...Sabe oque eu li num blog?
-Hum...
-Sobre paredes...Eu tenho vontade de abraçar as paredes e agradece-las
-Paredes cara? Porque? Tu é loucão?
-Ah! As pessoas não notam, mas as paredes são mais importantes do que o computador, do que a televisão, ninguém olha para elas...
-Hã?! Porque você diz isso?
-Ah! Veja, as paredes te protegem do frio, te protegem de ladrões, ta vendo aquele treco ali.(apontou para uma coluna do carrossel) Se não tivesse aquela coluna não ia existir carrossel, se não existisse parede não ia existir telhado para evitar a chuva...
-Nunca pensei nisso...
-Pois é!, e ainda as pessoas dão mais valor no facebook do que nas paredes!
Aula de Ociologia 1 (Discussões verídicas e satíricas)
Durante a aula de filosofia, depois te ter acabado uma atividade de epistemologia puxei papo sobre existencialismo com o professor:
-...Depois do existencialismo não existe mais nenhuma corrente, os filósofos se tornam independentes.
-AH! Mas qual o papel do filósofo nos tempos atuais? Pergunto isso porque antigamente o filósofo era o cara que se preocupava com a ciência, a arte, a sociedade... enfim, hoje a sociologia se separou, a ciência e a psicologia do "conhece-te a ti mesmo" também seguiram seus caminhos, dentre todos os outros ramos que a filosofia originou, oque a filosofia se tornou professor?!
-(risadinha) A filosofia virou masturbação mental!
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